Como me esquecer de você meu anjo, assim que você se foi, as pessoas começaram a dizer isto, confesso que acreditei nelas, e tentei, mas não é possível. Quatro anos, e só agora consigo falar direito de você, mas às vezes, fico sem ar, faltam-me as palavras, uma dor no coração, os olhos enchem d’água e fico tremula, e eu tento sempre disfarçar esses sentimentos. Olhando nossa primeira foto, eu com um ano, no meu batizado, e me colocaram sentada ao seu lado, você segurou minha mão, deveria ter feito o mesmo, mas parecia que queriam me substituir, não você, eu sei que não faria isso, mas se me lembro bem suas tias não gostavam de mim, então Claus e Deby, entraram em meu lugar, “são filhas de pastor...” , aposto que pensaram assim, eu tinha o meu jeito de orar por você, me lembro da gente falando isso, “esse povo é muito exagerado com religião”.
Entretanto não as culpo por ter me afastado, pelo contrario, as agradeço por ter te olhado no meu momento de fraqueza, pra elas era fácil, não te conheciam como eu conheci desde os meus primeiros passos, era difícil te ver daquele jeito, desculpa anjo, desculpa.
Entretanto não me lembro apenas das coisas ruins que aconteceram conosco não, ta. Você me ensinou tantas coisas, ta aí uma delas, vírgulas. Lembro-me de quando cismamos de alugar seis filmes, e assistir eles em um final de semana, acho que assistimos só o, “Legalmente loiras”, e depois eu brigando com seu pai, pois ele não conseguia instalar o DVD na TV da sala. Quando eu chegava à sua casa, e ficava com vergonha de abrir a geladeira, e você sentava no sofá, olhava pra mim e me xingava, dizendo “a casa é tanto sua quanto minha, dá o seu jeito que não vou levantar daqui”, mas ao mesmo tempo, as vezes seus pais brigavam e você olhava pra mim sem graça pedindo desculpas, falando que sempre acontecia. Ainda as brincadeiras sem noção minhas, como me fingir ser cortada com uma faca e sair correndo na sua casa gritando, com ketchup no braço, e você me olhava assustada, realmente preocupada, e quando via que era uma farsa, fazia uma cara de raiva me batia tanto e dizia “nunca, nunca mais faça isso Lud.” Você me protegia tanto, e eu sempre te obedecia. Bom, quase sempre, você tinha traumas de filmes de terror, pois é, e você me proibiu de assistir “treze fantasmas”, eu assistir ele ano passado, é ótimo...aposto que se estivesse aqui tava me unhando. Nossa tanta coisa, você me ensinou a jogar truco, amo. E quando eu escrevia seu nome com dois l, você ficava realmente puta neh, como ficava. Entretanto você me irritava às vezes também, só às vezes, muito raro, mas meu Deus, eu te irritava tanto.
No aniversario de quinze anos da Thais, sua irmã, a gente começou a imaginar como seria quando faríamos quinze também, quem ia dormi na casa de quem? Ate que chegamos à conclusão que no dia da festa não dormiríamos. E aquela brincadeira...que coisa. Pensando hoje posso perceber, o que muitas vezes queria esconder, achar que era uma brincadeira, pode ter sido real.
As vezes olho pro seu e procuro a estrela mais brilhante, ela é você, por que quando o vô morreu você me disse, “quando as pessoas morrem elas viram uma estrela, que fica olhando pra gente o tempo todo”.
Então lhe peço, olhe e cuide de seu pai, ele vestiu a armadura e não quer sair mais dela, ele quer ser forte, mais esta realmente mal, bebendo mais, olhe ele.
Sua mãe também, ela tenta passar a felicidade que você sempre aparentava pras pessoas, mas ela também ta mal, eu vejo nos olhos dela.
Sua irmã, vocês brigavam tanto, a saudável relação de irmãs, mas sinto que ela queria não ter te maltratado tanto, coloca na cabeça dela que ela tem que comer, ela não me escuta.
Sabe o que mais gostava em você, nada te abalava você é uma lutadora, sempre com o sorriso no rosto, tudo vai dar certo, e era a única que sem eu dizer nada, só me olhando dizia, se eu estava triste, alegre, com raiva...
Anjo, sempre, você era mais que uma prima, uma amiga, uma irmã, você era a pessoa essencial na minha vida, sempre, ainda é,sempre mesmo o sempre tendo acabado,mesmo te sentindo perto, como se eu fosse atravessar a rua, indo pra sua casa e você ainda estiver lá. E quando as pessoas me mandam virar a pagina, eu digo que mesmo virando a pagina ela ainda estará no livro.
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